O presidente Jair Bolsonaro ajustou o discurso presidencial após denúncias de compras injustificadas e superfaturadas, além de casos de desvio de dinheiro. A fala que o Brasil “está há 3 anos sem corrupção” passou a ser “não há denúncias consistentes de corrupção” e “se aparecer corrupção, que pode acontecer, ajudaremos a esclarecer os fatos, mas corrupção orgânica nunca mais”. As irregularidades foram levantadas pelo gabinete do deputado federal Elias Vaz (PSB).

Em abril, por exemplo, veio à tona o gasto de R$ 56 milhões na compra de filé, picanha e salmão para integrantes do Exército e da Marinha. Também foi divulgado a aquisição de 11 milhões de unidades de Viagra e 60 próteses penianas destinadas a militares.

O deputado Eliaz Vaz disse que “Tenho respeito pelas Forças Armadas, mas meu papel constitucional é fiscalizar os atos do Executivo. E as Forças Armadas não estão fora disso. Infelizmente, nós estamos detectando muitos processos de corrupção”, ressaltou.

O politico falou sobre os questionamentos que recebeu por conta das denuncias que mancham a corporação militar “para mim, quem está, na verdade, comprometendo a imagem das Forças Armadas é o presidente Bolsonaro” e complementou dizendo que “podemos enumerar várias situações que comprovam irregularidades nas Forças Armadas. Todos os dados que nós levantamos são de portais oficiais do governo, ou Portal da Transparência, ou portal de preços do Ministério da Economia” afirmou Vaz.

Um dos casos denunciados pelo deputado é a compra dos 11 milhões de comprimidos de Viagra destinados aos militares com o valor pago de R$ 35 milhões, valor que o parlamentar  afirma ser superfaturado “se nós fizéssemos a compra pelo  SUS (Sistema Único de Saúde)o valor cobrado dá mais ou menos R$ 0,48, ficaria em torno de R$ 5 milhões. A diferença, aí, seria brutal. São quase 500%” compara o político.

Segundo Elias Vaz a justificativa das Forças Armadas sobre o uso do Viagra não foi transparente “há uma tentativa de camuflar os dados, que são concretos”. Ele ressaltou ainda, que um convite foi feito ao ministro para que esclarecimentos sobre a compra fossem dados, mas a reunião foi marcada para este mês de junho, quase dois meses após as denuncias.

“Certamente, para preparar argumentos, porque ele vai ter de preparar muita coisa. Realmente, acho difícil ele explicar toda essa situação que estamos denunciando. Na minha opinião, ele tinha de, imediatamente, esclarecer para toda a população. Não é só para a Câmara. Contestou Vaz.

Após o inicio das investigações sobre as Forças Armadas o deputado foi abordado por um general “Ele me perguntou, tentando me intimidar, o que eu tinha contra as Forças Armadas. Falei que não tinha nada contra, apenas era o meu papel investigar. E continuei meu trabalho. Não vai me intimidar” contou.

 

Como é feita a apuração

O poder legislativo pode investigar o executivo através do que foi pago ou dos contratos. Segundo o deputado federal investigar através do que foi pago é mais complicado, porque as notas fiscais são geradas com vários produtos.

O gabinete do deputado Elias Vaz faz a apuração através dos contratos. Segundo o parlamentar quando encontrado irregularidades , por exemplo  uma compra de 12 mil quilos de picanha, a resposta ao questionamento é “Olha, vocês estão falando isso, mas a gente não comprou tudo isso”. O que intrigou o deputado a fazer as denúncia é o fato de que apesar da compra não ter sido entregue no total, o contrato é de um ano possibilitando a entrega por partes.

O político conclui dizendo sobre a dificuldade nas investigações contra o poder executivo devido os pedidos de sigilo  “Estamos passando por uma dificuldade, inclusive, interna, porque estão vindo muitas questões sob sigilo, que, muitas vezes, só eu posso, como parlamentar, ter acesso. E são sigilos feitos de forma ilegal” finalizou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here