Quando o assunto é desconstrução do machismo, grupos, cursos, rodas de conversa e campanhas tentam ajudar, engajando mais os homens no combate à violência contra a mulher e na busca por uma sociedade com mais igualdade.

“Se a gente for olhar o número de homens hoje engajados pelo fim da violência contra a mulher, ainda é muito pequeno. Então, é urgente a gente inserir mais homens nessa discussão”, diz o psicólogo Flávio Urra, do programa E Agora, José?. Ele avalia que, no enfrentamento à violência, é necessária uma participação maior dos homens.
Escolas
Na educação de crianças e jovens, o programa Maria da Penha Vai à Escola, para prevenir e coibir a violência contra a mulher, é realizado há dez anos pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).
Atualmente, fazem parte da parceria o TJDFT, o Ministério Público do Distrito Federal, a Secretaria de Estado de Educação do DF, entre outros. Recentemente, o Maria da Penha Vai à Escola se tornou uma das ações previstas no Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio envolvendo os Três Poderes.
“É importante pensar que já existem boas práticas com uma certa história, com uma boa avaliação em vários estados brasileiros. A gente não precisa inventar a roda, a gente precisa trocar esse conhecimento e afinar cada vez mais essas práticas.”
Ela destaca o papel da escola para transformar a comunidade e sugere outras iniciativas que envolvam pais. “É possível também abarcar os pais nesse letramento de gênero, promovendo, por exemplo, nas reuniões, palestras que sejam não apenas informativas, mas que também afetem esses pais sobre esse letramento. Convidando, por exemplo, profissionais de áreas diferentes, para falar sobre violência sexual contra crianças e adolescentes, sobre violência doméstica.”
O orientador familiar Peu Fonseca defende que, para repensar o machismo, é preciso envolver homens e mulheres, em rodas plurais. Ele observa, principalmente em comunidades escolares, que os homens têm os seus próprios grupos de diálogo e conversam entre si.
“Falam sobre o seu parentar, sobre o seu papel no cuidar, tudo isso. Só que eles não falam, talvez, como a gente tem a expectativa do que seja esse papel do homem a ser desempenhado. O que eu acho, na verdade, é que a gente precisa convidar os homens e os pais para ambientes integrados, inclusive não apenas entre homens, mas também com mulheres.”




